DefGPT Defensoria Pública do Estado do Tocantins

Defensoria Pública do Estado do Tocantins

De 55 para 3 mil processos por dia.

O DefGPT é a plataforma de agentes de inteligência artificial desenvolvida pela Defensoria Pública do Estado do Tocantins. Roda em servidores próprios, protege os dados dos assistidos e não custou nada além da infraestrutura e mão de obra que a instituição já tinha.

Início: abril de 2024 Na rotina: desde novembro de 2024 Custo adicional: R$ 0

O problema

Uma fila que crescia mais rápido do que qualquer equipe conseguiria esvaziar.

A Defensoria tem direito a receber honorários em parte dos processos em que atua. Para cobrá-los, alguém precisa ler cada processo e verificar se há valor devido. Em meados de 2024, eram quase 60 mil processos esperando essa leitura.

Um analista examinava em média 55 processos por dia. Enquanto isso, entrava mais que o dobro. Cada processo parado era um risco de prescrição e dinheiro público que deixava de voltar para a instituição.

No atendimento, o gargalo era outro: defensores precisavam ler longos históricos de conversa para entender cada caso antes de agir.

Contratar uma IA comercial esbarrava em dois limites: orçamento e sigilo. Os dados dos assistidos não podem sair da Defensoria.

Fila de processos aguardando análise de honorários, com entrada de 15,37% contra saída manual de 6,11%. Na última barra, o total já analisado pelo DefGPT.

A principal inovação

Inteligência artificial como infraestrutura pública permanente, e não como experimento ou ferramenta alugada.

Em vez de um sistema genérico, o DefGPT é uma plataforma de vários agentes especializados, cada um responsável por uma tarefa. Isso permite crescer aos poucos e criar um agente novo sempre que surge uma demanda, sem reconstruir o que já funciona.

Soberania sobre os dados

A IA roda nos servidores da própria Defensoria, com modelos abertos via Ollama (hoje, Qwen 3). Nenhuma informação de assistido vai para empresa externa.

Independência de fornecedor

Cada agente escolhe o modelo por configuração. Outra Defensoria ou outro órgão público pode usar Gemini ou OpenAI, se já tiver contrato, sem reescrever nada.

Feito para compartilhar

Os agentes são módulos independentes. Outras Defensorias podem adaptar agentes, modelos e regras de negócio sem começar do zero.

Revisão humana e auditoria

Cada resposta guarda qual agente, modelo e instrução foram usados, e o trecho que a justifica. Servidores avaliam a qualidade.

Como funciona

Não é um robô. É uma central que distribui trabalho para robôs especialistas.

  1. 1

    O pedido chega

    Solar, ProcAPI ou outro sistema da Defensoria envia o número do processo, do prazo ou do atendimento.

  2. 2

    Entra na fila

    Milhares de pedidos esperam a vez sem travar nada, inclusive fora do expediente.

  3. 3

    O agente trabalha

    Busca os documentos, separa o trecho que importa e pede à IA uma resposta em formato padronizado.

  4. 4

    Volta com rastro

    O resultado retorna ao sistema de origem. Cada etapa fica registrada e pode ser avaliada por uma pessoa.

Estatísticas relevantes

O agente de honorários lê em um dia o que um analista leria em dois meses.

Num servidor que a Defensoria já tinha, com 32 GB de memória e sem placa de vídeo dedicada.

mais processos por dia que um analista
54×
de ganho de tempo na análise de 35 mil processos
97%
de retorno potencial estimado ao analisar toda a fila
R$ 7 mi
mais eficiência no atendimento com o resumo automático de conversas
5×

Medições divulgadas

QuandoVolumeManualDefGPTDestaque
set. 2024testes iniciais60 mil decisões4,4 anos7 dias230× mais rápido
jun. 2025CNTI.Def35 mil processos2,1 anos11,7 diasR$ 4,6 mi em potencial

A IA não substitui o analista. Ela faz a triagem pesada e entrega à equipe só os processos com potencial de honorários, para a conferência final e a cobrança. O processamento roda à noite, em feriados e em horários ociosos, sem atrapalhar a operação do dia.

Custos envolvidos

Nenhum real a mais no orçamento.

O DefGPT foi feito com o que a Defensoria já tinha: servidores, equipe e software livre. Não houve compra de equipamento, licença ou contrato de API para o agente de honorários.

A integração com o WhatsApp é a exceção: ela depende de uma empresa de atendimento omnichannel, contratada à parte.

Custo adicional do agente de honorários

  • Servidor32 GB de memória, 128 núcleos, já existenteR$ 0,00
  • Placa de vídeo dedicadanão foi necessáriaR$ 0,00
  • Modelo de IAabertos e gratuitos: Llama 3.1, depois Qwen 3R$ 0,00
  • API comercial cobrada por usonão utilizadaR$ 0,00
  • PlataformaRuby on Rails e Ollama, software livreR$ 0,00
  • Desenvolvimentoequipe interna da DTI, sem contratação externaR$ 0,00

Total adicionalR$ 0,00

Como foi criado

Construído por dentro, um problema de cada vez.

A equipe da Diretoria de Tecnologia da Informação conduziu tudo, com a infraestrutura disponível e entregas curtas, validadas por quem usa o resultado.

  1. 1

    Uma base que já existia

    Chatbots desde 2017, transcrição automática de audiências em 2020 e categorização de atendimentos em 2021 prepararam a equipe e a instituição.

  2. 2

    Protótipo com IA local

    Em abril de 2024, os primeiros testes com modelos abertos rodando no servidor da Defensoria. Em seis semanas, a plataforma base estava em produção.

  3. 3

    Primeiro caso validado

    O resumidor de atendimentos provou o ganho num problema pequeno e visível antes de qualquer passo maior.

  4. 4

    O maior gargalo

    Com o ganho comprovado, veio o agente de honorários: testes contínuos, ajuste fino das instruções, validação humana e integração com o e-Proc.

  5. 5

    Plataforma para todas as Defensorias

    Em 2026, os agentes viraram módulos independentes, prontos para serem adaptados e compartilhados.

Quanto tempo levou

6 semanas
do primeiro teste à plataforma base em produção
7 meses
até o DefGPT entrar na rotina da Defensoria
2 anos e meio
de evolução contínua, com mais de 970 alterações registradas no código

O que fez dar certo

  • Foco em problemas reais da instituição
  • Equipe técnica interna e experiente
  • Entregas pequenas e rápidas
  • IA local, sem custo adicional
  • Apoio da administração superior
  • Resultados medidos em produtividade e retorno financeiro

O que foi difícil

  • Fluxos jurídicos complexos
  • Processos e documentos sem padronização
  • Ajuste fino das instruções para alta precisão
  • Limites iniciais de hardware
  • Fila de processos que não parava de crescer
  • Mudança cultural para adotar IA no setor público

Impacto social

Menos tempo com papel, mais tempo com quem procura a Defensoria.

  • Para o assistido

    Casos entendidos mais rápido e providências tomadas mais cedo. Os dados de uma população vulnerável ficam dentro da instituição que a atende.

  • Para defensores e servidores

    O trabalho repetitivo sai da mesa. Sobra tempo para escuta qualificada, julgamento humano e atuação jurídica estratégica, sem ampliar as equipes na mesma proporção.

  • Para o orçamento público

    Honorários que se perderiam por prescrição voltam à Defensoria e são revertidos em investimentos na infraestrutura física e tecnológica da instituição, com impacto direto no atendimento jurídico gratuito prestado à população, sem aumento de impostos para o cidadão.

  • Para a transparência

    Toda análise feita por IA deixa rastro: pode ser revisada, auditada e medida. Inovação com controle e prestação de contas.

  • Para outras instituições

    Uma solução pública, gratuita e compartilhável. A DPE-TO passou a ser procurada por outras instituições públicas para conhecê-la.

Os agentes

Um problema real por agente.

Resumidor de atendimentos

Primeiro caso validado

Transforma longos históricos de conversa no WhatsApp e no RocketChat do Solar em sínteses objetivas para o defensor. Tornou o atendimento 5 vezes mais eficiente e provou o modelo antes do salto para a área processual.

Honorários

Em produção

Lê as decisões de cada processo no e-Proc, via ProcAPI, e aponta se há honorários devidos à Defensoria, conferindo recursos pendentes e prescrição. É o principal case do DefGPT: até 3 mil processos por dia. Toda resposta traz o trecho da decisão que a justifica:

{
  "honorarios": true,
  "trecho": "Condeno ainda a parte Requerida ao pagamento das despesas processuais e honorários advocatícios sucumbenciais que arbitro em 15% do valor da ação, conforme artigo 85, § 2º do CPC."
}

Prazos

Em produção

Classifica prazos processuais, identifica se envolvem audiência ou diligência e destaca o trecho do documento que justifica a classificação.

Petição inicial

Em validação

Monta um rascunho de petição inicial a partir da ficha de atendimento do Solar, para o defensor revisar. Passa por avaliação da equipe antes de entrar na rotina.

Genérico

Novo

Executa uma instrução enviada por outro sistema e devolve a resposta de forma segura ao endereço indicado. Já está sendo usado para extrair informações e categorizar documentos internos, sem precisar de um agente novo para cada caso.

Reconhecimento

Premiado ao lado de STJ, AGU e Tribunais de Justiça.

Selo do Prêmio de Inovação J.Ex 2025
24 de novembro de 2025 · Brasília

Prêmio J.Ex 2025, categoria Inovação Tecnológica

Conhecido como o Oscar da inovação no sistema de justiça. Finalistas incluíam o STJ (LIA), a AGU (GER@AGU), o TJAM (AranduGPT) e o TJRS (Conexão GAIA).

Selo de vencedor do Prêmio Inovação Tecnológica Condege 2025
Junho de 2025 · Foz do Iguaçu

Prêmio Inovação Tecnológica Condege, 1º lugar no CNTI.Def

Congresso Nacional de Tecnologia e Inovação das Defensorias Públicas, realizado com o ENASTIC. Categoria Eficiência Operacional, Segurança e Sustentabilidade Tecnológica. Foi o primeiro prêmio de tecnologia e inovação entre as Defensorias.

Participantes do XVIII Congresso Internacional em Direitos Humanos da Esmat

XVIII Congresso Internacional em Direitos Humanos

Esmat, Palmas, novembro de 2025. O DefGPT foi apresentado como caso de sucesso em IA no setor público.

Plateia do Tropical on Rails 2026 diante do palco

Tropical on Rails 2026

São Paulo. O maior evento de Ruby on Rails da América Latina recebeu o DefGPT como exemplo de IA aplicada com poucos recursos.

  • 2º Tocantins Tech, outubro de 2025

Linha do tempo

Cada marco, na ordem em que aconteceu.

PlataformaNovo agenteReconhecimento

AntesA base de inovação da DTI

  1. Chatbots de atendimento
  2. Transcrição automática de audiências
  3. Modelos de categorização de atendimentos

2024Da prova de conceito à plataforma

  1. Começa o DefGPTPrimeiros testes de resumo de textos com IA local.
  2. Plataforma base no arFila de processamento, API, registro de cada etapa, painel e integração com o Solar.
  3. Resumidor de atendimentosPrimeiro caso validado.
  4. Arquitetura de agentes e IA própriaO sistema passa a ser organizado em agentes, com modelos rodando em servidor da Defensoria.
  5. Começa o agente de honorários
  6. Apresentação públicaJá em produção com Llama 3.1. Nos testes, a análise de honorários ficou 230 vezes mais rápida.
  7. DefGPT na rotina da Defensoria

2025Escala e reconhecimento

  1. Integração com o e-Proc via ProcAPIHonorários passa a ler processos e documentos judiciais direto da fonte.
  2. 1º lugar no CNTI.DefFoz do Iguaçu. 35 mil processos analisados em 11,7 dias.
  3. Escolha livre de modeloCada agente pode usar IA local, Gemini ou OpenAI por configuração.
  4. Agente de prazos
  5. Prêmio J.Ex 2025Inovação Tecnológica, em Brasília.

2026Modular e compartilhável

  1. Agentes como módulos independentesCada agente vira uma peça que pode ser instalada, atualizada ou compartilhada separadamente.
  2. Agente de petição inicial
  3. Agente genérico: extração e categorizaçãoPassa a extrair informações e categorizar documentos internos, com entrega segura da resposta ao sistema que pediu.
  4. Nova interface e gestão de usuários
  5. Controle da fila pelo painelPedidos pendentes podem ser cancelados por agente ou individualmente.

Equipe

Quem constrói o DefGPT.

Servidores da Defensoria Pública do Estado do Tocantins, com apoio das áreas finalísticas que usam os resultados no dia a dia.

Luiz Arão Araújo Carvalho ergue o troféu no palco ao receber o Prêmio Inovação Tecnológica Condege, 1º lugar no CNTI.Def 2025

Luiz Arão Araújo Carvalho recebe o 1º lugar no CNTI.Def 2025, em Foz do Iguaçu. Veja o pitch.

  • Especialista em Inteligência Artificial
  • Lucas Magno Oliveira AbreuIntegração com Solar e ProcAPI
  • Tatyana Abrahão PiedadeDiretora de Tecnologia
  • Mayra Francielle MarquesCoordenadora de Desenvolvimento
  • Pablo ChaerDiretor de Inovação

Perguntas frequentes

O DefGPT em poucas respostas.

O que é o DefGPT?

O DefGPT é uma plataforma de agentes de inteligência artificial desenvolvida pela Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO). Cada agente faz uma tarefa específica: analisar honorários em processos judiciais, classificar prazos, resumir atendimentos, redigir rascunhos de petição inicial e extrair informações de documentos internos.

Os modelos de IA rodam nos servidores da própria Defensoria, com software livre (Ruby on Rails e Ollama) e modelos abertos, como o Qwen 3. O projeto começou em abril de 2024, está na rotina da instituição desde novembro de 2024 e recebeu o Prêmio J.Ex 2025 e o Prêmio Inovação Tecnológica Condege 2025.

Os dados dos assistidos saem da Defensoria?

Não. O DefGPT foi projetado para que a análise aconteça dentro da infraestrutura da DPE-TO. Os modelos de IA são instalados nos servidores da Defensoria por meio do Ollama, e nenhum dado de assistido é enviado a empresas de tecnologia.

A plataforma aceita provedores externos, como Google Gemini ou OpenAI, por configuração de cada agente. Isso permite que outra instituição use um serviço que já tenha contratado. No Tocantins, a opção padrão é a IA local, justamente para garantir o sigilo.

Quanto custou o DefGPT?

O custo adicional foi de R$ 0. O agente de honorários roda num servidor que a Defensoria já tinha, com 32 GB de memória, 128 núcleos e sem placa de vídeo dedicada. Não houve compra de equipamento, licença de software nem contrato de API cobrada por uso.

O desenvolvimento foi feito pela equipe interna da Diretoria de Tecnologia da Informação. A única exceção é a integração com o WhatsApp, que depende de uma empresa de atendimento omnichannel contratada à parte.

Quais resultados o DefGPT já alcançou?

O agente de honorários analisa cerca de 3 mil processos por dia, contra 55 por analista, 54 vezes mais. Em junho de 2025, 35 mil processos que levariam 2,1 anos de análise manual foram concluídos em 11,7 dias, um ganho de tempo de 97%, com retorno potencial de R$ 4,6 milhões em honorários.

Ao todo, o DefGPT já analisou mais de 120 mil processos, e o retorno potencial estimado de toda a fila chega a R$ 7 milhões. No atendimento, o resumo automático de conversas tornou o trabalho 5 vezes mais eficiente.

Os honorários arrecadados são revertidos em investimentos na infraestrutura física e tecnológica da Defensoria, com impacto direto no atendimento jurídico gratuito prestado à população.

A inteligência artificial substitui defensores e analistas?

Não. O DefGPT faz a triagem pesada e repetitiva. Os servidores recebem apenas os casos que precisam de decisão humana, como os processos com potencial de honorários, para a conferência final e a cobrança.

Cada resposta da IA registra qual agente, modelo e instrução foram usados, além do trecho do documento que a justifica. Isso permite revisão, auditoria e avaliação de qualidade por pessoas.

Outras Defensorias podem usar o DefGPT?

Sim, a plataforma foi pensada para ser compartilhada. Desde janeiro de 2026, cada agente é um módulo independente, e cada Defensoria configura seus próprios modelos, instruções e regras de negócio sem reconstruir o sistema.

Um agente criado por uma instituição pode ser adotado pelas outras. A DPE-TO já é procurada por outras instituições públicas interessadas em conhecer a solução.